Sexta-feira, Junho 19, 2009

TOQUE DE RECOLHER: REPRESSÃO E RETROCESSO


Construí conceitos, princípios e concepções ao longo de quase meio século de vida, de que violência e repressão, não educa ninguém, pelo contrario, gera mais violência e estimula mais repressão. A medida tomada por alguns municípios do Estado de São Paulo em adotar o sistema do Toque de Recolher para crianças e adolescentes, após uma determinada hora da noite, beira a uma intolerância e irresponsabilidade total dos poderes públicos, com os problemas da população.

Que nossas crianças e jovens estão expostos ao crime organizado, isto é uma realidade. Que a cada dia casos envolvendo esta população em crimes aumenta, também é uma realidade. Mas é real, também, que não há políticas públicas eficazes de proteção, o ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente-, não é praticado em muitos municípios, que se contentam a encaminhar seus pequeninos a Fundação Casa, ou abandona-los a sorte do Trafico de Drogas e a marginalidade em geral.

Em um País onde a desigualdade não é só social, ela também é racial, de gênero e de sexo, sem falar da religiosa, uma medida típica de regimes totalitários, pode fortalecer atitudes conservadoras, retrogradas e porque não fascistas. Na ditadura, o esquadrão da morte, milícia clandestina paramilitar, matava o que se julgava bandidos.


Na verdade se provou que o que se caçava, eram o estereotipo de criminoso, na cabeça de nossas elites, pessoa pobre e em sua maioria negra. A famosa Rota 66, cumpriu institucionalmente este papel que o EM fazia. Até hoje, nossa policias, atacam apenas no varejo, prendendo meninos da periferia. Quando jovem a policia da Ditadura, abordava de forma truculenta e completamente fora da ordem, qualquer grupo ou pessoas que na cabeça deles estaria cometendo delitos. Eu mesmo sofri vários constrangimentos.


O Toque de Recolher, pode intensificar esta pratica, que foi ao longo dos anos amenizada, por conta de legislação de defesa e garantias dos direitos humanos.

Não há garantias de que uma ação destas diminua o crime ou afaste crianças dele. Eu aposto que tal medida é inútil e perniciosa a população. O ECA já garante especificamente, nos artigos, 98,99,100,101,102,106 e 149, proteção que estimule garantia de direitos e não repressão, punição aos Pais que são vitimas de um sistema desigual e desumano. Alem disto a Constituição Federal em seu artigo 5º protege o direito das pessoas de ir e vir.

Penso que ao invés de se defender ações como esta do Toque de Recolher, que mais espalham terror, do que combatem o crime, é preciso formular e por em pratica medidas de inclusão social, que restabeleçam a dignidade das pessoas.

QUEM TEM MEDO DA REFORMA ÀGRARIA?


O artigo da Jornalista Andréa Crott da Gazeta de Limeira, do dia 30 de Maio, com o titulo “Vala Comum”, reproduz entrevista com um suposto dissidente do MST em nossa cidade. Segundo a matéria contida na coluna Bastidores, tudo o que parte da Mídia, dos Latifundiários, políticos de direita e simpatizantes dizem é verdade. O Movimento dos Sem Terra, fundado em 1986, é resumindo as acusações um Movimento do Crime Organizado.

Interessante esta ladainha, orquestrada e decorada por aqueles que não querem nem Reforma Agrária e muito menos um Desenvolvimento no País com Justiça Social. A questão Agrária e fundiária, remonta suas origens as famosas Capitanias Hereditárias, que foi o jeito institucional, que a Coroa Portuguesa encontrou para legitimar, a primeira grilagem de Terras por aqui, contemplando aliados do El Rei, entre eles, assassinos, ladrões, políticos corruptos que aqui vinham “cumprir”, suas penas criminais.

A desigualdade no campo, envergonha qualquer Cristão, Mulçumano, Judeu e outras Fé. Menos de 10% dos Fazendeiros, detem quase 50% das terras neste País. Os centenas de assassinatos, de pequenos agricultores, posseiros, lideranças sindicais e populares, é um outro sintoma grave e preocupante do conflito agrário. O desemprego, a fome e a miséria nos centros urbanos, aumentam este cenário de preocupações com a ausência de Reforma Agrária.

O MST, é a segunda experiência concreta de movimento de luta e organização pela terra. A primeira foram as ligas camponesas dos anos 50 e 60. Porem é o Movimento Sem Terra, o único a mobilizar a sociedade Brasileira para a necessidade de se fazer Reforma Agrária. O Brasil é o único na América do Sul, que ainda não fez a sua. Só para ficar no exemplo de nosso Continente. A Agricultura familiar e de subsistência já provou ser o caminho para a geração de emprego e renda, alternativa ao latifúndio, a monocultura e o agro negócio.

Criminalizar movimentos de massa, não é novidade neste País. Isto ocorreu nas duas ditaduras, e em momentos de crises institucionais. È o caminho mais fácil para tentar combater ideologicamente, um movimento que Revoluciona com seus atos a democracia Brasileira. O MST não vai fazer o Socialismo, apenas quer uma medida perfeitamente aplicada no Capitalismo, aja vista Paises do G8, que a séculos fizeram sua Reforma Agrária.

Por isto, pergunto Quem Tem Medo da Reforma Agrária?

UM POEMA SOBRE (DES)EMPREGO


LEGIÃO

Um oco no coco, lhe deixa borococho
Uma carteira, sem eira nem beira
A idade, não atesta competitividade
Um ato continuo quase sem tato
No banco da praça manco
Não tem ira, ao ver a despensa vazia
O choro do menino, e o seu se esvaindo

Entrava na legião dos SEM
Casa, emprego e dos com
Fome, dividas, miséria.

Até o lock seu cão deu pinote
Não sobrou nem pó de café no pote
A mulher não agüentou a puxada
Fez as malas e levou a filharada
A casa tinha que deixar
Pois não conseguia mais pagar
Os amigos não contava
Sumiram como a poeira da estrada

Entrava na Legião dos
Desiludidos, fudidos,
Humilhados e arrasado

Um vazio
Batia no
estomago
não era
só fome
era dor
uma coisa
o dominava
era escravo
da impotência
nada o
consolava

Entrava na Legião
Dos perdidos, dos
Solitários e mal amados

O que fazer? Como se mover? Porque esta vergonha? Culpa? De que? És velho? Só tem 40? E já não serve? E antes? Ninguém reconhece? Deixou sangue e suor? Também um pedaço do Corpo? Lazer? Não sabe o que é isto? Não tinha tempo pra Sexo? A maquina era sua parceira? E o produto seu orgasmo? Mas valeu a pena? Não pode nem entrar lá para matar saudades? Ganhava pouco? Nunca quis lutar para melhorar de Vida? Estudar? Não pode?.










UM POEMA DE AMOR E SEXO


INICIO, MEIO E FIM


Algo direciona os olhares
Eles são especificamente
De malicia, muita por sinal
Pernas bambeiam, parecem
Dores, mas na verdade,
È um calor, que toma, agora
Os dois corpos, que denunciam
O desejo de se tocarem.

Um frenesi, um bacanal a dois
Mil atos desavergonhados e libertos
Suores e gemidos, espalham
Tesão por todos os cantos dos
Locais do coito e o gozo
É a celebração de um festival
De entrelaçados que buscam
Ser um só até o The End


Sexta-feira, Maio 29, 2009

COTAS: JUSTIÇA SOCIAL E HISTÓRICA


Vem gerando polêmica em alguns setores da sociedade, da direita, passando ao centro, indo á esquerda, o Projeto de Lei que se encontra no Congresso Nacional que define um sistema de cotas para afro descendentes.

Á defesas contrarias apaixonadas, ríspidas e beirando ao preconceito, de raça e social. Bem como a algumas ponderações, até que sérias, que afirmam ser as cotas um instrumento que deveria contemplar os excluídos de cidadania ou seja os pobres em geral.

A primeira não vou nem discutir, porque esta motivada, por um sentimento segregacionista e de profunda violência a negros e pobres. A segunda, pode ter sua lógica e até um certo que de razão.


No entanto em um País onde os Afro Descendentes, de acordo com dados do IBGE, representam metade da população, e o mesmo Instituto afirma que 70% dos que estão abaixo da linha da pobreza, são da raça negra, é preciso considerar as cotas.


Alem disto, 300 anos de escravidão e de uma liberdade sem justiça social, precisa ser paga, não pelos pobres de outras raças ou cores, mas pelas elites, que no passado foram escravagistas e hoje buscam concentrar renda explorando os pobres e excluídos desta terra.

Interessante que, todas as vezes que se fala em políticas públicas, para pobres e setores marginalizados, a uma grita de um setor, que sempre foi privilegiado pelo Estado e dele se beneficia, até se regalar. Se as cotas podem não ser uma solução definitiva de inclusão e de combate ao racismo, mas busca fazer justiça social e Histórica.

Quinta-feira, Abril 16, 2009

ASSÉDIO MORAL


O Ex Prefeito da cidade de Iracemapolis, o Professor João Renato, em conversas com este articulista e o então Vereador José Carlos Pinto de Oliveira, nos confessava, que um de seus maiores orgulhos, foi o de ver aprovada, pela Câmara Municipal, um Projeto de sua autoria, quando Vereador, que proibia o Assédio Moral no âmbito da Administração Pública. A Lei na época sancionada pelo Prefeito Cláudio Cosenza, é considerada, pioneira, pois foi a primeira a tratar deste assunto no Brasil. Vitima desta pratica tão recorrente há décadas nos locais de trabalho, João Renato, debruçou-se a estudar formas de combater o assédio, situação que pode levar uma pessoa, de um simples estresse ao suicídio.

No Brasil não há uma Lei Federal que regulamente princípios e preceitos constantes na Constituição Federal, que considera crime, toda forma de constrangimento, humilhação, perseguições, realizadas a partir do uso de cargos hierárquicos, autoridade ou status quo. Embora isto esteja consagrado na CF, não há nada que regulamente, a condição criminal e sua proibição. Durante muito tempo e ainda hoje, boa parte dos trabalhadores, desconhecem o que venha a ser o Assédio Moral e como combate-lo. Assim ficam calados, diante os desmandos, de chefes, gerentes, supervisores, patrões e outros que utilizam de violência verbal, psicológica e as vezes físicas, com o intuito ou de promover abuso de poder ou para conseguir vantagens para ele ou para a empresa ou instituição pública.

Veja o que o define o respeitável site sobre o assunto http://www.assediomoral.org/: “Assédio moral no trabalho não é um fenômeno novo. Poderia se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho. A novidade reside na intensificação, gravidade, amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-casual com o trabalho e tratá-lo como não inerente ao trabalho”.

Durante todo o seu mandato, o Vereador José Carlos Pinto, teve como prioridade, a luta pela implantação de uma legislação que coibisse esta pratica, bem como reeduca-se trabalhadores nas relações de trabalho, que as mesmas viessem a ser mais humanas e solidárias. Projetos de Leis foram apresentados ao Legislativo, porem considerados inconstitucional, pelo fato do assunto ser de competência do Executivo. Ocorre que por varias vezes, se apelou para que a Prefeitura Municipal, assumisse para si a tarefa de enviar propositura para a casa de leis. Nunca tivemos resposta, seja positiva ou negativa. Alem disto, os debates, dos quais participaram especialistas, como o Professor João Renato, a Drª. Solange Dantas, Sindicatos de Trabalhadores, em nenhum deles a administração municipal compareceu.

Mas como neste País, os pobres e trabalhadores para terem conquistas precisam lutar e muito, a luta prossegue e novos atores, como o Sindicato do Funcionalismo Público e outros tem encampado esta missão. Recentemente, uma vitória sobre isto foi conquistada. A UNIMED, que foi investigada pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, teve que assinar um TAC com o ministério público, se comprometendo a evitar a pratica de Assédio. Embora a empresa não admitiu a recorrência de assédio em seu local de trabalho, a ela caberá zelar que nenhum trabalhador ou trabalhadora, venha ser tratado, como uma coisa ou um escravo.

A de se ressaltar que vários municípios do Estado e do País, bem como os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, já tem legislação especifica e regulamentada pondo fim ao Assédio. Em nossa região podemos citar, as cidades de Campinas e Americana. No entanto dezenas de Projetos de Lei estão sendo discutidos em vários municípios e Estados da Federação. È bom lembrar que a maioria das Leis, são no âmbito da administração pública, que já consiste em um grande avanço. Outro aspecto a salientar é que a própria Justiça do Trabalho, com base na Constituição Federal, tem reconhecido o Assédio Moral como um crime e imposto indenizações, as quais consideramos importante, mas não soluciona a questão, é preciso prevenir esta pratica no chão de fábrica, e é aí que leis especificas são deveras necessárias.

Em um determinado momento de minha atuação como Assessor Parlamentar, me deparei com a seguinte História, a qual nomes e lugares são fictícios, para preservar a família da vitima: “ Minha filha era uma moça alegre, disposta, trabalhadora. Vivia para família e para os estudos, não tinha tempo e nem se interessava por namoros. Mas um dia começamos a perceber que ela vivia muito triste, já não ia mais a escola, não saia mais nem para ir ao culto, só para o serviço. Perguntava-mos o que se passava, ela desconversava, inventava qualquer desculpas, até que com o tempo sequer proferia qualquer som de sua boca. Emagreceu rapidamente, e febres constantes a perturbavam. Foi no dia do Senhor que notamos que do quarto de nossa menina, veio um barulho, como se algo pesado tivesse caído ao Chão. Fomos ver: Minha filha tinha suicidado, tomou comprimidos e outras porcarias tóxicas”.

Este relato ao qual adaptei, é verdadeiro, foi fruto do ataque de um agressor perverso que utilizou-se do cargo que tinha para assedia-la sexualmente e nao conseguindo partiu para a pratica do Assédio Moral. Colocando-a para fazer serviços pesados e humilhantes, gritando e ofendendo-a, fazendo abordagens na rua, com ameaças de demissão e outras violências. Felizmente o agressor e a empresa foram punidos por isto, mas infelizmente uma vida foi ceifada pela ignorância e crueldade de verdadeiros criminosos, que se apoderam de um Status para escravizar e perseguir trabalhadores.

Este caso e inúmeros outros me fez entender a importância da luta contra praticas como estas.

EM TEMPO I: O Sindicato do Funcionalismo Público tem como uma de suas principais reivindicações na Campanha Salarial em curso a Lei do Assédio Moral. Esperamos que a Categoria obtenha sucesso.

EM TEMPO II: Alem do site especializado no assunto descrito no texto, recomendo pagina do Professor João Renato sobre o assunto, bem como informações sobre o seu livro: http://www.leiassediomoral.com.br/index.htm .

Terça-feira, Abril 14, 2009

NAS ONDAS DA NET


Aperto dois botões, abre-se a tela de
Diversos tamanhos e em máquinas várias
Uma senha para o inicio da viagem
********, um enter, e a bordo estou

Como bom marinheiro um check in
Nas mensagens, digita-se @ e
As informações fluem com naturalidade
E assim também mando meus e-mails

Um link para as noticias do dia
Um outro para o resumo das novelas
Ainda outro para a pesquisa sobre Pessoa
Aos ouvidos um download para o ultimo Caetano

No Messenger um inglês se conecta
E diz ter gostado de minha música
No orkut amplia-se meus amigos
E me delicio nos debates das comunidades.

Crio uma website, com fotos, textos, vídeos
Na home page uma apresentação digna
Da abertura de um espetáculo na Broadway
Cheia de hiperlinks, hipermídia e hipertexto.

Uma manutenção na hardware se faz necessário
Um anti vírus se renova de tempos em tempos
Para se proteger de programas de micros
E dos hackers, piratas do espaço cibernético.

Navego pelos quatro continentes
Em Paris, lembro da queda da bastilha
Na áfrica negra, militância contra a fome
No Iraque ajudo a acabar com a guerra.

A velocidade da Banda Larga
Vários megabytes, espaço para produção
Em meu disco rígido, suficientes
Para não travar ou dar pau na CPU.

Navegar é preciso, viver ainda mais
O conhecimento infinito, á poucos
Centímetros de distancia, fazem
A informação, fonte de Revolução.


Sexta-feira, Abril 03, 2009

AO MEU NETO


ARTIFÍCE DA FELICIDADE

Hoje meu primeiro neto
chegou neste mundão
de Meu Deus

E chegou bem com
3K e 800 gramas
não negou a raça

No alto de seus
51cm Pietro
já diz pra que veio

Será Altivo
Mas não Arrogante
Espalhará confiança

Fará os Pais
ter fôlego para
construir o melhor

Os avós, que
Viver não tem
Limites, é bom

Pietro Chega,
para ser a rocha
firme de nossa caminhada

Pietro chega,
para transbordar
Alegria.

Não é a toa
que veio
em 1º de Abril

Não como farsa
mas como artífice
da Felicidade

Pietro chegou
e de braço em
braço nos da Paz

(Pietro filho de minha filha Ruani, nasceu ás 18:30h desta quarta feira, 1º de Abril de 2009, no Hospital da Medical em Limeira/SP).

POEMA INÉDITO


EU NÃO TENHO MEDO

Eu não tenho medo
Do amor ou da dor
As duas a gente sente
E enfrenta, uma tem cura
A outra é eterna enquanto
Durar ou a morte chegar

Eu não tenho medo
De gostar e muito
Do negro, do amarelo,
Do branco, do vermelho,
Gosto do trem das cores
E de seus cheiros e aromas

Eu não tenho medo
Em dizer ao Judeu
Estenda a mão ao Mulçumano
Como o Candomblé não
É coisa do Demo, e ser
Católico não é ser onipotente

Eu não tenho medo
de beijar Homens, em saudação
ou na boca por amor
Ou tesão, ou não
Mas nunca concordarei
Com o extermínio do diferente

Eu não tenho medo
De pesadelos, eles tem
Que ficar em sonhos
Mas pesadelos reais
Não se permitem existir
Eles destroem vidas

Eu não tenho medo
de dizer que gosto de
soltar pipas, não só
porque é divertido
o vôo delas nos faz
bater asas e viajar em segundos

Eu não tenho medo
de ter medo, de temer
o pior, o caos, a barbárie,
de ver muros da indiferença
rajadas de estupidez
escarrada de ignorância

Eu não tenho medo
Do futuro, ele pode
Ser um pássaro de boa
Paz, de santidade
ou uma cobra
De um veneno fatal

Eu não tenho medo
Digo e repito
Eu não tenho medo
De dar boas vindas
Ao belo, ao feio
Ao contraditório, á vida.

Em Tempo: Poema fortemente influenciado pela crônica “Tenho medo dessa gente”, da Jornalista Sandra Alves, publicado no Blog: http://www.jornalistas.blog.br/ .

Segunda-feira, Março 23, 2009

PARA NÃO ESQUECER, MAS NÃO COMEMORAR


No dia 31 de Março, fará 45 anos, de um dos acontecimentos mais tristes da História Brasileira e porque não do Século XX. È o aniversário do Golpe Militar, que derrubou do poder o Presidente Constitucional João Goulart, o Jango. Com o Golpe de 64, fecha-se as cortinas para a Democracia e abriu-se uma janela, para a escuridão, para a censura, para o autoritarismo, para a tortura, os assassinatos.

Calcula-se que cerca de 50 mil pessoas foram detidas nos primeiros meses da Ditadura Militar. No exílio mais de 10 mil cidadãos viveram entre março de 1964 e agosto de 1979, quando da promulgação da Anistia. De acordo com o Projeto Brasil Nunca Mais, que resultou em um livro testemunho e histórico das mazelas e crimes do regime, foram acusados de subversão e outros, pelo militares 7.367 pessoas judicialmente. Na fase de inquérito foram 10.034, onde quatro foram condenados a pena de morte (não consumadas), 130 pessoas foram expulsas do País, 4.862 tiveram seus mandatos cassados e direitos políticos, alem de 6.592 militares punidos e pelo menos 245 estudantes expulsos da universidade, isto entre 64 e 79. Se isto não bastasse temos que contabilizar, mais de 5mil pessoas entre mortos e desaparecidos.

O regime ainda propiciou o fechamento das instituições, fazendo vários atentados ao Estado de Direito. A tortura foi um método, embora ilegal mesmo pela ditadura, francamente institucionalizada. Centenas de pessoas, foram sujeitas á humilhações, perseguições, algumas indo á morte, entre elas pessoas ilustres como o Jornalista Wladimir Herzog, o Deputado Rubens Paiva, pai do escritor Marcelo Rubens Paiva, o operário Manuel Fiel Filho, e muitos outros.

64 nos faz refletir sobre duas questões: os motivos que levaram militares e setores das elites e das classes médias a articular o golpe, e a discussão atual sobre a impunidade dos Torturadores e os que praticaram crimes de lesa humanidade.

O primeiro, passou-se a História, como uma medida para evitar que comunistas e socialistas detivessem o poder. Peça de uma propaganda que até os dias de hoje, vemos pessoas e até órgãos de imprensa defendendo tal delírio, tal mentira. O Governo de Jango, nunca foi comunista, muito menos de esquerda. O golpe de 31 de março, vai enterrar de vez, um modelo de populismo nacionalista, que teve em Getulio Vargas seu principal ideólogo, embora o mesmo remonte aos tempos do Brasil do primeiro Império. Um populismo que precisava ter pés em varias canoas, servir a vários senhores, mas que na hora de tomar decisões, elas incorriam para os interesses dos grupos econômicos. Vivíamos a guerra fria, o mundo dividido entre os pró Americanos e os pró Soviéticos e uma imensa maioria de Paises em disputa. O Brasil era um deles não por conta da força das esquerdas, que estavam longe de representar uma alternativa de poder, mas pela política de dubiedade do governo. Mas as forças das elites econômicas, já tramavam um pacto com os Estados Unidos, desde o suicídio de Getulio. A luta pela ampliação de territórios se fazia necessário, tanto para o fortalecimento Americano na Guerra Fria, como para um modelo de desenvolvimento econômico, que buscava concentrar renda, aos Países desenvolvido. Era o Imperialismo do pós guerra se firmando. Para isto se fazia necessário, fechar as democracias, onde elas na avaliação Estadunidense se apresentava frágil.

O Governo de João Goulart, em sua trajetória desde a renuncia de Jânio, sofreu ataques de parte das elites e de instituições como a Igreja Católica. Sua posse, em 1961 foi ameaçada, onde tivemos por conta de tentativas de golpe alguns meses de uma experiência de Parlamentarismo, que com um Plebiscito determinou seu fim e aí Jango pode assumir. Seu mandato precisava de apoio para se manter. A aproximação de setores da esquerda (PCB/CGT e outros) e de progressistas, fazia parte do ideário populista, bem como uma forma de resistência a tentativas de intervenção em seu governo. Mas as tais reformas de base, assumidas pelo governo, apenas para firmar a aliança com estes setores nunca saíram do papel, e mais nunca representaram ameaça para o fim do Capitalismo no Brasil. A ilusão de que a chamada Burguesia Nacional seria a outra ponta de apoio ao governo de Jango, nunca se efetivou pra valer.

A ditadura Brasileira, não pode ser conferida como um episódio localizado e isolado. Neste mesmo período, quase toda a América Latina, foi contaminada por golpes militares que desencadearam, no que os Argentinos chamam a sua, de A Noite dos Generais. A CIA e os departamentos do Estado Americano não mediram esforços para ver concretizada a tática da derrubada de regimes constitucionais e a instalação de ditaduras. Era preciso uma política de mão única, para desenvolver uma economia dependente do Imperialismo, onde o aumento de famélicos e miseráveis se fazia necessário, para este intento.

Não á registros de uma situação objetiva para que o fantasma do comunismo fosse o motivo principal do golpe. As principais instituições de esquerda e liberais, apesar das intensas mobilizações durante o governo Janguista, não conseguiram resistir ao golpe. O CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), principal organismo sindical, marcou uma greve geral para dois dias após o golpe, ficou a ver navios, os trabalhadores por medo ou por desconhecimento do que estava acontecendo, não atenderam o chamado de suas lideranças. E assim foi com os Partidos e setores populares da sociedade.

A ditadura Militar no Brasil, significou então uma estratégia do Capital concentrador e Imperialista de domínio. Esta estratégia não só cerceou liberdades, como criou gerações de alienados e descrentes com futuro de seu País. Alem é claro que ainda manter impunes os assassinos do regime. Mas este é assunto do próximo texto.

Domingo, Março 22, 2009

PERSONAGENS DA MINHA CIDADE I


MILITANTES DO FUTEBOL

Era um domingo daquele ano de 1970. Meu pai, passava as ultimas instruções para minha mãe- Rita, assim que a gente sair você fecha o bar e o reabre lá para umas quatro da tarde, começa a fritar as cochinhas e os Kibe, para quando o time chegar. E lá ia nós, eu com sete anos e meu pai, subindo na carroceria aberta de um caminhão de turma, do corte de cana. Íamos para mais uma partida de Futebol, do Paulistinha ou Paulista do Bar, equipe amadora do meu Pai. Os jogos sempre após o almoço, e na maioria das vezes, em um campo da zona rural da cidade: São Jerônimo, Marrafom, Parronchi, Centro Rural do Pinhal, Jaguari e outros. As vezes, jogava-se dentro do perímetro urbano. Meu Pai, boleiro, desde sua adolescência, viu no hobby de treinador, a forma de expressar seu amor ao Futebol. Nosso bar era ali na Rua Paraíba, no alto da Vila Esteves, onde morávamos a época. E foi ali que comecei a acompanhar o futebol amador e varzeano da cidade.

Ao longo de uns 15 anos até quase uns 23 anos, tive contato com este esporte, onde o prazer é que movia as pessoas, e não vantagens financeiras ou benesses qualquer. Eram operários, que ralavam oito horas diárias dentro de uma fábrica, loja, lavoura e outra atividade econômica. Moravam quase todos nas periferias do município, onde vários bairros estavam se criando em função da migração principalmente de Mineiros e Paranaenses. O futebol aos domingos, era o ponto de aliviar o estresse destes homens a maioria jovens, entre treze e vinte e cinco anos. Ali a diversão e o congraçamento eram situações certas. A solidariedade entre eles, foi um aspecto que detectei desde o inicio. O time tinha uniforme, gastos com transporte, com as comemorações após as partidas. Não havia patrocinador famoso, a famosa vaquinha ou o sistema de contribuição mensal, eram uma das formas para manter este lazer tão importante. As vezes uma briguinha dentro ou fora do campo, acontecia mas nada que gera-se, violência a ponto de tirar vidas e afastar as pessoas da pratica do esporte.

Equipes lendárias e que revelaram vários jogadores até para equipes profissionais da cidade e do estado. Destaco, o Rosalia do alto da Vila Esteves, o Refiunião, o Primavera (do saudoso Peixeiro), o Lazinho (do Saudoso Dirceu do Paulistano), o Ipiranga (do Osvaldinho e do Polêmico Toureiro), o Paulista do Mercado (do Zezinho da Barbearia ali da Sete de Setembro), o Corintinha (do Charuto) e outros. Meu pai gostava de dirigir equipes novas e sem muita badalação, de preferência de vila, como se costumava falar naquela época: Vasquinho do São Cristóvão, Citral, ABC e SERVA, da Vista Alegre. Mas passou também por equipes com uma estrutura melhor, como o Juniores da Inter de Limeira nos anos 70, o Serafim (do ex Vereador Ismael Calça) e o Santa Cruz (do Boleiro Chicão). Desfilaram pelos campos do futebol de diversão em Limeira, jogadores que depois incursaram pela vida profissional, como Dadona, Tite, João Ferraz, Paulinho Caju, Airton Vermelho, Osmar Cetim e muitos outros.

Os locais dos jogos, a maioria sem alambrados ou instalações como arquibancadas para os torcedores. Muitos dos campos de jogo, tinham metade grama, metade areia. Não havia ajuda da administração municipal, que cuidava apenas dos estádios para as duas equipes profissionais da cidade. Mas o amador na cidade era um sucesso, um celeiro de revelações e de bons jogadores.

Posso citar de memória alguns confrontos que marcaram o futebol amador na cidade. Os jogos entre as equipes amadoras do Galo e do Leão, que mesmo com os profissionais, mantinha os times nos campeonatos. Os derbis de vila, como SERVA e ABC, Morro Azul e Piratininga, Rosalia e Independente. Partidas memoráveis, como os quatro a um do Primavera do Peixeiro, contra o todo poderoso do Lazinho, ou a final entre Serva e Internacional no Limeirão, um 3x2 que colocou sob suspeitas alguns jogadores da equipe do JD. Vista Alegre (é suborno também tinha naquela época).

Os árbitros estes eram atração dos espetáculos, como são até hoje. Cansei de ver os caras correndo para o vestuário, com medo de apanhar, não havia proteção policial, não. De cabeça, me recordo dos nomes do Baca, engraçadissimo, do Carlão, do Manga e do Ditinho. Árbitros que se profissionalizam depois, como Flavio de Carvalho, apitaram em nossa várzea.

Tempos áureos em nosso futebol. Tempos que dinheiro não tinha a menor importância. A paixão pelo esporte e o que dele se retira, como espírito de coletivo, solidariedade, amizade, é o que realmente interessava. Este texto é uma homenagem a todos os boleiros citados e não citados, e em especial a meu Pai, o João Lopes como é conhecido na Várzea, pela belíssima contribuição que deram para a formação de bons craques e por que não grandes seres humanos.